O rádio, uma caixinha que fala que encanta as crianças na mais tenra idade. Certa vez um adolescente indagava: “Como pode essa caixinha falar”? Não tem fios e mesmo assim funciona. Era o milagre da tecnologia quando do lançamento do rádio portátil, do rádio a pilha. A voz que encanta, corta a noite, as madrugadas frias e calorentas, encanta no verão, no inverno e em todas as estações do ano. Lança ao ar belas melodias, através das ondas curtas, médias e de freqüências moduladas, seja grande ou pequeno, ele transmite os grandes espetáculos, as grandes tragédias. Aproxima os povos, desperta a atenção por línguas diferentes e nos leva a imaginar como será a vida em determinados países.Para ARAYA BARBOSA e SIERRA MEJIA (1999.p.15-17), o rádio na América Latina, tem exercido um importante papel: se converte em um ponto de encontro das pessoas e dos grupos.
Daí pode-se dizer que um projeto Rádio-Escola pode ser uma proposta de educação para as mídias, pois entre a familiaridade com os equipamentos próprios das radiofônicas vem a elaboração coletiva das programações, isto permitirá à comunidade escolar construir em seu entorno relações e seu próprio discurso, transmitindo a todos o que pensa, deseja e necessita para uma sociedade mais justa de cidadãos capazes de decidir o próprio destino.
Minhas experiências com o rádio
Ouço rádio com pouca freqüência, mas quando criança ouvia muito os programas de rádio, pois morava na zona rural onde só se ouvia rádio à pilha, não possuía energia elétrica.
Sempre ouvia todos os programas, porem, as novelas com mais freqüências, visto que minha mãe-avó não perdia nem um só dia.
Lembro-me de uma vez que utilizei o rádio na sala de aula em 1990, no meu segundo ano de trabalho no magistério. Quando recebi uma turma de 2ª série, alunos tri-repetentes na faixa etária de 10 e 11 anos, a minha missão naquele ano delegada pela Coordenação Pedagógica, era ensinar a leitura e as quatro operações fundamentais de Matemática para 20 alunos. Como eu tinha certa liberdade de criar, metodologias diversificadas devido ser uma turma critica, do ponto de vista pedagógico, então uma tarde levei meus alunos para conhecerem a única rádio da cidade na época chamada “Radio Marajó” na cidade de Breves-PA. Conclusão, os alunos gostaram tanto do passeio, viram onde e como eram feito os programas de rádio, eles ficaram encantados com tudo. E passaram a ouvir mais os programas, pois falamos com os locutores dos programas alguns deixaram seus nomes para oferecimento de músicas e data de aniversário.
Creio que trouxe conhecimentos, pois eles passaram a ouvir mais o rádio e traziam assuntos para a sala que estavam sendo noticiados no rádio, pois não havia canal de TV local. Nós tínhamos a hora da novidade, duas vezes na semana, vinte minutos para contarmos as novidades, discutirmos assuntos do interesse deles. E à partir disso eu direcionava os conteúdos, foi tão proveitoso que no final do ano, apenas três alunos ficaram retidos, um por abandono.
Portanto, não foi uma ação em que eu tenha levado o rádio para a sala de aula, mas de tê-los levado até ao rádio e esse trazer ficou por conta de cada um deles, na medida em que as discussões eram feitas, motivava-os a ouvirem e trazerem as informações até a sala de aula para que juntos numa conversa mais formal pudéssemos extrair pensamentos, idéias que contribuíssem com o nosso trabalho de construção de conhecimento. Então, percebo que não dependeu somente de mim, mas principalmente deles.
Marla